sexta-feira, 21 de julho de 2017

O pequeno príncipe





Por esses dias, assisti a um filme de 2015 que se inspirava na história original do "principezinho" que morava em um asteroide 612 . Depois de vê-lo resolvi baixar o livro e percebi como uma boa história faz refletir sobre a sociedade, independente do gênero literário. Inclusive, é uma bobagem ter preconceito em relação a qualquer estilo.

 No filme, uma menina encontra o excêntrico Aviador, que a introduz ao mágico mundo do Pequeno Príncipe. Antes, ela só queria saber de estudar e seguir os passos da mãe metódica e trabalhadora. 

Um fato que achei interessante é que a casa do aviador era cheia de vegetação e de passarinhos, diferente das outras casas da vizinhança, homogêneas e cimentadas. A partir daí o desenho capta a essência do livro de como à medida que se cresce, não se dá importância as "as pequenas coisas", a fim de correr na busca de prestígio e grana.

Nunca deve esquecer-se do nosso lado criança, caso contrário, tudo se torna chato e cinzento demais. Precisa-se parar um pouco e observar as estrelas, a lua, perceber cada detalhe imperceptível da natureza e deixar a imaginação fluir.

O livro do pequeno príncipe, Saint-Exupéry se utiliza de uma narrativa leve e poética para falar sobre o relacionamento entre seres. Além, de mostrar que cativar é que torna cada indivíduo especial em relação ao outro. “A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!"

 Neste trecho percebe-se uma reflexão crítica da sociedade contemporânea, que massifica tudo com tanta velocidade e os indivíduos nem têm tempo de cultivar e criar afetos. 

 O livro foi lançado em 1943 e continua atual neste aspecto. Toda hora somos bombardeados com informações e produtos que não há tempo para refletir e nem cativar um relacionamento mais profundo. Aí, surge um pensamento que quebra o paradigma que estamos vivendo em um mundo de aparências e de racionalidade técnica: "O essencial é invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração."

Pois é, meu amigo, Pequeno Príncipe, você está certo e atual e é uma pena que ainda não aprendermos isto.

 Então, ao término da leitura do livro e ao se lembrar do filme de 2015, comecei a pensar sobre como podemos manter a criança que fomos um dia? Inclusive, não perder nossa essência neste mundo vaidoso dos adultos? Como preparar as crianças para este mundo, sem matar sua criatividade? 

A vida é tão dura na maior parte do tempo. Para realizar nossos objetivos, precisa-se planejar. Por exemplo, este livro é este filme inspirado nele, teve toda uma estrutura financeira para que pudessem ser divulgados. 

 Infelizmente, existe a necessidade de sermos práticos para conseguir nossos sonhos. Ninguém vive exclusivamente de fantasia. Por outro lado, não se pode esquecê-la, pois só se sobrevive e não vive de fato. A realidade necessita da fantasia para o ser humano não se tornar autômato.

domingo, 16 de julho de 2017

NA BOCA CÃO

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Primeiro de tudo, confesso minha ignorância em relação ao teatro que se se produz atualmente. Principalmente, produções que não tem artistas muito “famosos” da televisão. Desde pequeno, sempre fui ligado em novelas, filmes e quando me tornei adulto, comecei a me interessar por literatura e outras artes. 

 Quando cheguei ao CCBB  do Rio  de Janeiro, eu e minhas companheiras de passeio queríamos assistir a versão da peça Hamlet, já conhecíamos mais ou menos a história. Inclusive, vi umas duas versões cinematográficas. 

Os ingressos se esgotaram e decidimos de momento comprar os tickets de outra peça, que era uma ópera contemporânea. Concluímos experimentar e saltar no escuro. Por que não? Se não gostássemos, beleza, pelo menos, sairíamos da zona de conforto. Ainda mais, que ópera me remetia àquelas exibições que os artistas cantavam em italiano e com cenários de épocas antigas. Pelo visto, mostrei como tenho uma vasta cultura que se resume a vários clichês... (Bem, abafa o caso.)

" A arte como  libertação"

No primeiro momento, houve um estranhamento, não tinha lido nada sobre a obra. Todavia, a sincronia entre a luz, a música e a interpretação voraz da atriz me fez viajar para a história e, também, na boca do cão. Ela cantava como uma soprano e ainda interpretava com o corpo. Com certeza, deve ter tido muita preparação física.

 Por meio da ópera, contou-se a história de uma menina que foi mordida por um cão e como isto afetou seu consciente e inconsciente, construindo imagens tenebrosas e impactantes e de como a protagonista superou seu trauma pelo canto. 

A obra foi inspirada em um caso verídico que aconteceu com a atriz-soprano, mostrando que a arte pode ser libertadora. Adorei sair da minha zona de conforto e experimentar outras veredas.

Bem, quando a sessão terminou, uma senhora me disse que foi ótimo e concordei. Ao dizer minha impressão, equivoquei-me ao dizer que a ópera foi inspirada num caso “simples”. Ela contestou, argumentando que o episódio não foi pouca coisa. 

Na verdade, queria ter dito que o caso que se baseou o espetáculo foi cotidiano, quantas crianças foram mordidas por cães e desenvolveram traumas? 

 Evidencia-se um olhar artístico contemporâneo em relação ao ser humano, que não é mais retratado como idealizado em outros estilos do passado e com histórias sublimes, românticas ou trágicas. Pelo contrário, ele precisa lidar com o absurdo caótico da vida.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre a brevidade da vida- Sêneca



Como lida com o tempo? Acha que passa rápido demais? Desperdiça-o ou aproveita a cada instante? Sei que são perguntas óbvias que todos já tiveram em algum momento. Mas, quando li esta obra de Sêneca compreendi que os questionamentos sobre o tempo são atemporais, apesar de cada época ser diferente.

O gênero literário do livro é epistolar a certo Paulino e através das cartas, Sêneca desenvolve sua filosofia de vida. “ A maior parte dos mortais, Paulino, lamenta a maldade da Natureza, porque já nascem com perspectiva de uma curta existência e porque os anos que lhes são dados transcorrem rápida e velozmente. De modo que, com a exceção de uns poucos, para os demais, em pleno esplendor da vida é que justamente esta os abandona.”. Criticava o comportamento dos poderosos de Roma que se parecem muito com os de hoje em dia. Era filósofo, dramaturgo, político e escritor e foi um dos expoentes intelectuais de Roma do início da era Cristã. 

Sêneca desenvolve um ensaio de que a vida não é curta, quando não nos deixamos levar pelo ego, ambição de poder ou dinheiro e pelos impulsos. Por meio de exemplos, nos mostra que a busca do conhecimento precisa estar relacionada com o crescimento individual e não como forma de esnobar os outros. O autor tem muito da filosofia grega e considera os pensadores deste tempo, seus verdadeiros amigos. 

Em muitas ocasiões, damos importância ao supérfluo e gastamos nossa vida. Se realmente vivêssemos sem ficar na superfície dos papeis sociais, das amizades falsas, coleguismo e dos relacionamentos de fachada, nós poderíamos aproveitar melhor os momentos./ É um ensaio que ainda é bastante impactante para quem lê. Na época que foi escrito, No Império Romano mesmo que seja super diferente desta sociedade tecnológica, a essência do ser humano é o mesmo. Inclusive, o medo da morte, o desejo da imortalidade e de querer ter mais tempo.

 Ao invés disso, viva cada momento qualidade e como as pessoas que desejam realmente seu bem.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Um bom exemplo...



Depois de tanta mediocridade, corrupção e egos inflados, assisti ao documentário sobre a vida da psiquiatra Nise de Oliveira. Realmente, que mulher maravilhosa em todos os sentidos. Além de culta era intuitiva e essas características a ajudaram a revolucionar a psiquiatria. 

 Ela iniciou tratamentos mais humanistas e a prestar a atenção nos mínimos gestos dos seus pacientes, não os tratando como consequências de um surto. Ajudou-os a se reencontrarem por meio da arte. Outro fato que me emocionou foi ver as pinturas de seus pacientes. São fortes e mostram um pouco as essências deles. 

A arte feita de um jeito instintivo e as obras pareciam vivas. Nise percebeu que, por meio dessas obras, os pacientes contavam o que aconteciam com eles, mas, de um jeito não lógico. De certo aspecto, ela proporcionou um espaço para que os loucos pudessem ter uma voz. Antes, eram marginalizados, torturados e abandonados nos hospícios.

 Poxa vida, confesso que fiquei com inveja da Nise de Oliveira e de seus pacientes. São indivíduos especiais e talentosos, diferente de mim, sem talento, medíocre e que vive uma vida normalzinha demais.

Se nada der certo...



Serei amigo de pessoas influentes para entrar na política. Farei fortuna, pois só legislarei para os poderosos, fodam-se os pobres. Só servem como massa de manobra. Para quê educá-los? São mais vantajosos ignorantes. Quanto mais flexibilidade nas leis trabalhistas e na aposentadoria, melhor para meu bolso. Além, de usar minha influência para meus "amigos" empresários ganharem licitações e empréstimos milionários.

 Direi que sou a favor da família, da moral e que sou o mais honesto de todos. Enquanto isso, farei muitas negociatas e terei tanta grana que nem meus bisnetos precisarão trabalhar. Irei espalhar milhões em todos os cantos do planeta e minha fortuna será imensurável, mesmo que me prendam. Ninguém conseguirá rastrear tudo, sou muito esperto e sei fazer muita grana.

Muitos podem me esculachar, mas, na verdade, sentem inveja. Será que esta raiva é um desejo secreto de ser que nem a mim? Será que são tão virtuosos assim? Não adianta fugir contra o instinto de ter hegemonia. Todos nós queremos poder e deixar nossas sementes cada vez mais influentes. Ninguém quer ser um Zeninguemfodidodesdentado.

Enfim, ainda tem gente que acha que as coisas deram errado para mim, porque fui preso. Como são idiotas, não sabem de nada e nem percebem que são marionetes de algo que nem compreendem.

 #senadadercerto

terça-feira, 6 de junho de 2017

Mulher maravilha



Não quero falar da parte técnica ou da qualidade estética do filme, já existem muitas críticas abordando.

O que me encantou na história foi a inocência infantil de Diana em relação à humanidade. No início, ela não entendia as dissimulações.

 Quem, quando criança, não entendeu uma "mentirinha" dos adultos para manter uma social? Aí, questionou-se: " Ué, falam para mim que é errado mentir, mas estão faltando com a verdade agora?"

Realmente, é triste descobrir que a sociedade é hipócrita e que os adultos cometem o que disseram ser errado.

 Em várias cenas as pessoas riram pelas gafes da protagonista, por ela não entender de que no mundo o qual estava os indivíduos precisavam usar máscaras. Além de perderem a essência, corrompendo-se pelo meio do caminho.

Hoje em dia, há vários exemplos na política e no cotidiano, que nos levam a desesperança. Será que o mundo e as pessoas têm jeito?

A Mulher Maravilha pode ser uma inspiração para continuarmos a manter nossa inocência e a fé na humanidade, atravessando o abismo que todos possuem dentro de si.