sábado, 3 de outubro de 2015

O velho que acordou menino de Rubem Alves



Ultimamente estou a me interessar sobre a questão da memória, não referente à parte científica, mas sobre aquele tipo de lembrança que se transforma ao longo do tempo. Explicarei melhor, por exemplo, uma recordação de criança pode existir outra interpretação, quando se é adulto e acumulamos conhecimento e lembranças.

No início do livro, o autor faz um texto introdutório em relação à memória. Ela, na verdade, se divide entre dois tipos: memórias sem vida própria e memórias com vida própria. A primeira é registros de documentos, números, informações para fazer uma prova e senhas que só servem para nos orientar no mundo, por isso, tem utilidade pragmática e ficam inertes numa caixa. A segunda, pelo contrário, não ficam silenciosas e não surgem conscientemente e sim aparecem quando querem, voando com pássaros livres. Surgem de repente com um cheiro, música ou uma cena qualquer na rua.

Depois, desta introdução, Rubem Alves conta sobre suas lembranças de menino. Os pontos interessantes que achei, foi que ele fez citações de uma forma tão natural. Até anotei o nome de autor citado que gostaria muito de ler: Bachelard. Sabe, é interessante de ver intelectuais construindo pontes entre o mundo acadêmico e o que não é. Percebe-se que Rubem Alves além de ser um intelectual é um excelente contador de histórias, além, de ter certa pedagogia generosa que não torna o texto entediante.  

Outro aspecto que achei muito bacana foi que suas histórias me envolveram pelo fato de sua habilidade e sensibilidade. Os relatos não tinham nada de segredos “cabeludos” ou mistérios, pelo contrário, mostrou o lirismo e o lúdico das primeiras lembranças e como elas de repente nos invadem se pedir licença.

Confesso que demorei de ler o livro com pena de acabar. Talvez, um dia, quando for um escritor, gostaria de escrever semelhante, praticando uma literatura que proporcione conhecimento sem ser chato ou pedante.