domingo, 16 de julho de 2017

NA BOCA CÃO

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Primeiro de tudo, confesso minha ignorância em relação ao teatro que se se produz atualmente. Principalmente, produções que não tem artistas muito “famosos” da televisão. Desde pequeno, sempre fui ligado em novelas, filmes e quando me tornei adulto, comecei a me interessar por literatura e outras artes. 

 Quando cheguei ao CCBB  do Rio  de Janeiro, eu e minhas companheiras de passeio queríamos assistir a versão da peça Hamlet, já conhecíamos mais ou menos a história. Inclusive, vi umas duas versões cinematográficas. 

Os ingressos se esgotaram e decidimos de momento comprar os tickets de outra peça, que era uma ópera contemporânea. Concluímos experimentar e saltar no escuro. Por que não? Se não gostássemos, beleza, pelo menos, sairíamos da zona de conforto. Ainda mais, que ópera me remetia àquelas exibições que os artistas cantavam em italiano e com cenários de épocas antigas. Pelo visto, mostrei como tenho uma vasta cultura que se resume a vários clichês... (Bem, abafa o caso.)

" A arte como  libertação"

No primeiro momento, houve um estranhamento, não tinha lido nada sobre a obra. Todavia, a sincronia entre a luz, a música e a interpretação voraz da atriz me fez viajar para a história e, também, na boca do cão. Ela cantava como uma soprano e ainda interpretava com o corpo. Com certeza, deve ter tido muita preparação física.

 Por meio da ópera, contou-se a história de uma menina que foi mordida por um cão e como isto afetou seu consciente e inconsciente, construindo imagens tenebrosas e impactantes e de como a protagonista superou seu trauma pelo canto. 

A obra foi inspirada em um caso verídico que aconteceu com a atriz-soprano, mostrando que a arte pode ser libertadora. Adorei sair da minha zona de conforto e experimentar outras veredas.

Bem, quando a sessão terminou, uma senhora me disse que foi ótimo e concordei. Ao dizer minha impressão, equivoquei-me ao dizer que a ópera foi inspirada num caso “simples”. Ela contestou, argumentando que o episódio não foi pouca coisa. 

Na verdade, queria ter dito que o caso que se baseou o espetáculo foi cotidiano, quantas crianças foram mordidas por cães e desenvolveram traumas? 

 Evidencia-se um olhar artístico contemporâneo em relação ao ser humano, que não é mais retratado como idealizado em outros estilos do passado e com histórias sublimes, românticas ou trágicas. Pelo contrário, ele precisa lidar com o absurdo caótico da vida.